segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Oráculo

Quem é Você?
Oh ser preso em meio a tortos reflexos!
És capaz de decifrar-te? Queres conhecer a Verdade? Aliás, quem é a Verdade?

Aquele que ouve a palavra, mas não a põe em prática, é semelhante a um homem que olha a sua face num espelho e, depois de olhar para si mesmo, sai e logo esquece a sua aparência. Tiago 1.23 e 24



Fotos: Alberto e Prisca


Foto: Lucas Rolim

(...) agora só podemos ver e compreender um pouquinho a respeito de Deus, como se estivéssemos observando Seu reflexo num espelho muito ruim; mas o dia chegará quando O veremos integralmente, face a face. Tudo quanto sei agora é obscuro e confuso, mas depois verei tudo com clareza, tão claramente como Deus está vendo agora mesmo no interior do meu coração. I Coríntios 13.12 (BV)

Desenhos: Pedro Almeida, Rafael Coutinho, Lucas Rolim, Nayara, Pedro Sacramento e Predo Ivam

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Sobre o sentido do tempo


Iniciou-se na semana passada mais um período letivo para os alunos da Universidade Federal de Viçosa. Para ser um pouco mais específico o início se deu, para uma boa parte dos alunos, no começo do dia 04 de agosto, às oito horas da manhã. Nessa mesma hora iniciaram-se diversas aulas no exato momento em que o professor, ou professora, começou a pronunciar suas primeiras palavras. Um início.
Acredito que seja bem óbvio para a maioria, se não para todos, que as aulas iniciadas no dia 04 de agosto tiveram um fim no mesmo dia. E que o próprio dia se encerrou, logo após seu ciclo de 24h. Caso contrário, já não estaríamos no décimo segundo dia do mesmo mês, que, por sua vez, terá um fim também, assim como todos os meses seguintes até, por fim, encerrar o semestre, que teve início outro dia. Um fim.

São interessantes essas coisas, não são? Tudo o que existe "debaixo do sol" possui um início e um fim. E esta dança é de extrema importância para aqueles que a bailam. Por exemplo, são revigorantes os finais de ano, pois logo quando morre um, cheio de lutas e canseiras, instantâneamente é chegado um novo ano, repleto de esperanças e força. Em outra situação, é necessário o passar pela dor, mas o seu fim é bem melhor do que seu início. Ciclos necessários.

Contudo, o que apresenta importancia não possui sentido algum quando se encara a morte, visto ser essa a conclusão do maior dos ciclos: a vida. Que proveito tem o homem, portanto, de todo o seu trabalho? Aparentemente, não existe renovo depois da morte. A única coisa que se pode falar depois disso (se é que um morto fala) é que tudo foi em vão: nascer, crescer, sofrer, sorrir, trabalhar e receber, destruir, construir, cantar, chorar, beijar, cuspir, odiar, amar, para depois de tudo morrer... Tudo veio e se foi, como fumaça. E a pergunta que não quer calar é: qual o sentido?

Isso parece ser uma desesperadora tragédia. Contudo, assim como qualquer outra tragédia tem um início e um fim, essa também não é diferente se olharmos para além dos limites do sol. E esse é o nosso renovo. Todas as coisas tiveram início um dia. O mundo teve sua gênese. E claro, se você pensar que não houve nenhum propósito no surgimento da terra, eu e você poderemos, certamente, nos descabelar. No entanto, analisando de forma simples, mas real, tudo o que existe, nos seus bastidores, deve existir (e existe) alguma força pensante superior e que perdura além de toda a linha temporal. Alguém que colocou um sentido em todos esses ciclos. A Bíblia me diz que essa força é Deus: um ser racional e sentimental, que se relaciona comigo e com a humanidade e, dessa forma, faz nascer um sentido na minha existência. E o sentido é este: viver perto do ser mais inteligente do universo e o único que não passa, é eterno (não possui um início nem um fim) e que pode conceder eternidade aos ciclos terrenos, fazendo-os perdurar além da morte. Nesse sentido, a morte continua fazendo parte apenas de mais um ciclo. Existe um sentido além da morte e este é revelado no ultimato de Deus: "buscai ao Senhor enquanto se pode achar!"

É tentador ouvir o convite de me relacionar com o único ser na terra que possui o sentido para as coisas e pode me fazer aproveitar melhor os ciclos, os fazendo eternos e me conduzindo para um lugar além da minha morte. É tentador. Mas eu preciso atentar que, como todo convite, esse também tem um prazo. Ele se inicia agora, mas daqui a pouco... sua vida pode se findar... e o tempo determinado... para aceitar o convite... pode ter um ponto... final. Que sentido você dará para esse tempo, afinal?

terça-feira, 17 de junho de 2008

"Fale de amor, se for preciso use palavras"

Tenho percebido, ultimamente, algo muito constante entre as pessoas que acreditam na transcendentalidade: Tem havido uma divisão da espiritualidade da “mundanidade”. E com esta dicotomia, tem vindo a indiferença e o repúdio pelo que é humano. Nesse contexto, tentamos ser cada vez “menos humanos” para sermos mais santos. E fica a falsa idéia da conceitualização da santidade como algo desconexo e alheio às nossas vidas terrestres e materiais.

E então, por separar o espiritual do “material”, não entendendo-os como coisas coexistentes, e até mesmo conseqüentes, as pessoas tendem a se tornar menos sensíveis aos seres humanos e suas mazelas. E se alienam do mundo em seus “templos sagrados”, em busca de uma santidade cada vez mais individualista e “menos humanizada”.

A santificação tem sido entendida como a tentativa de nos tornarmos dignos da salvação. Porém, devemos entender, que só há possibilidade de santificação e libertação pessoal no plano espiritual através da Graça santificadora e redentora de Cristo. E esta redenção se dá de forma “arbitrária” por Deus, através de Cristo que já fez TUDO na cruz, nos tornando totalmente incapazes de justificação pelo que foi feito em nós. No entanto, segundo Paulo, essa graça, a salvação, continua a se realizar em nós, devendo ser desenvolvida, para nos tornarmos irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus(Fp 2:12). Precisamos desenvolver a salvação, e não conquistá-la, visto que só desenvolvemos aquilo que já possuímos.

Aquilo que o evangelho nos convida a ser tem intima ligação com a Graça. Jesus nos convida a amar o nosso próximo! E não apenas como resultado da transformação ocorrida pela em nossas vidas, mas como meio para alcance da salvação. Por termos sido justificados pela Graça e por termos Cristo em nós, é incompatível sermos indiferentes às necessidades e opressões do nosso mundo material. “Jesus veio para que tenhamos vida, e a tenhamos em abundancia”. A Graça de Deus é libertadora, e deve ser em todos os sentidos! Portanto, aquele que foi remido e liberto por Cristo, não se conforma (e não tem como!) com as opressões, seja a espiritual pelo pecado, seja a material, pelo mundo. A Graça, então, é causa, das quais a luta pelas libertações espirituais e materiais são conseqüência.

A Graça libertadora de Cristo é de tal modo profunda e eficaz que nos afeta em todos os aspectos de nossas vidas. Ter uma vida transformada pela Graça, em santificação, nos faz ser, portanto, essencialmente humanos e atentos às necessidades das pessoas. Não é possível viver pela Graça e amar nosso semelhante e ainda assim sermos inertes a tudo que acontece em nosso mundo material. Nós, como instrumentos reveladores de Deus ao mundo, tendo sido transformados por meio de Cristo, e por amor ao próximo, devemos valorizar a vida e tudo o que ela representa!
Nos santificarmos, portanto, é vivermos a real expressão da Graça em nós e através de nós.

Viver pela Graça é não aceitar uma sociedade desigual, onde os mais fracos são oprimidos(Mt 23:14) ; É ser separado e buscar o Reino de Deus, mas não separado do mundo, e sim separado NO mundo, vivendo a diferença da transformação divina em meio ao mundo material; É colocar o valor da vida acima do valor das coisas(Mt 23:23); Viver pela graça é viver a misericórdia em meio à turbulência do ambiente secular, ao invés do calmo ambiente religioso, que não está inserido nas dores humanas(Mt 9:9-13); É entender que o altar de Deus, não é apenas os dos templos, mas também os dos corpos de irmãos que são oprimidos por um mundo vil e desigual.(Lc 10:25-37)

É viver a expressão máxima do AMOR, que é sensível, libertador, transformador e sincero!
'Que falemos de amor, e se for preciso, que usemos palavras!!'